terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Do apoio familiar

Eis um assunto nebuloso para mim. Não que me falte o carinho ou o orgulho; é óbvio que meus pais desejam e torcem para que eu seja juíza - tanto assim que no armário da minha mãe há uma estátua de uma bonequinha vestida de juíza, pronta para me ser entregue quando da aprovação. Talvez falte a compreensão de que a aprovação na Magistratura não é algo tão imediato. Já não sou mais a menina sonhadora e desprecupada, recém-saída da faculdade. Passei dos trinta, tenho um filho, não sou casada, tenho contas a pagar. Estou em franca desvantagem diante dos jovens com a vida protegida, com todo o tempo do mundo para estudar. É preciso maturidade para entender isso, e lutar contra a maré.

Eles já muito fazem por mim. Cederam-me espaço para mim e meu filho (aliviando-me da despesa com moradia própria, cuidam do meu pequeno nos momentos de imersão total. Não poderia ser ingrata e dizer que não há ajuda. O que sinto é uma cobrança para resultados, o que considero natural. Estão idosos, cansados, preocupados com meu futuro. Não desconhecem as notícias sobre o Judiciário, não ignoram as pressões do cargo, a carga de trabalho, os colegas que tombaram no cumprimento do dever. Coloco-me em seu lugar. E me cobro. E nessa cobrança, às vezes me faltam os sorrisos.

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