A primeira avaliação a ser feita, quando se toma a definitiva decisão de prestar concurso, é como está o nosso lado espiritual. Em princípio, pode parecer uma grande bobagem, algo bastante supérfluo diante de tantas matérias a serem estudadas; entretanto, manter-se equilibrado e protegido na fé é o primeiro passo em busca do sucesso nesta tão grande empreitada.
Sou um alguém criado dentro da doutrina católica, e disso não me vergonho. Ser cristã é fato de profundo orgulho para mim, e nada há a esconder; só não podemos fazer da religião uma bandeira pronta a ser hasteada para mostrar honestidade. Minha fé é parte da minha intimidade, e profeço-a de maneira discreta e sem alardes, não tentando a conversão universal às minhas crenças, mas também sem vergonha de nada que sou. Sequer conseguiria: a Virgem que me acompanha ao pescoço, o adesivo da medalha de São Bento no carro e a imagem do Cristo em cada livro meu não permitiriam negar o abrigo que encontro em Deus.
Sim, eu rezo, e se pudesse, o dia inteiro. Gosto de igrejas, de missa, das histórias dos santos e das festas. Rezar o terço e sentir a força da oração são experiências que trazem ainda mais força ao estudo. Quando me faltam forças ou tempo, é a Virgem que não deixa meus olhos se fecharem diante das horas debruçada nos livros. É a sua linda imagem que me dá a certeza de fazer o que é certo, ainda que pareça quase impossível, em certos momentos.
Gostaria de ter uma visão mais agnóstica da coisa, até para conseguir chegar aos corações ateus; todavia, é impossível para mim falar dessa tão linda carreira sem falar de Deus. Que me perdoem aqueles que crêem apenas na força humana, mas Deus está intimamente ao lado daqueles que julgam casos e fatos, pois Ele é o grande magistrado, que a todos julgará. Se falamos o tempo todo em ética, em trabalho, em conciliação e justiça, falamos de valores profundamente religiosos. Nem o preâmbulo da nossa Constituição me deixa esquecer que estamos sob a proteção de Deus. Menos ainda o Código Civil, norma dotada de toda a principiologia de dignidade da pessoa humana, ética e socialidade.
Nâo esqueço que trabalharei para pessoas de todos os credos, bem como para os céticos. Respeitar e decidir de forma justa será meu papel. Contudo, no fundo dos meus pensamentos, não conseguirei deixar de pedir a proteção do Altíssimo momentos antes de cada audiência, pedindo a Ele sabedoria para melhor operar a Lei. E lá no fundinho de mim mesma, podem ter certeza: eu semrpe estarei dizendo baixinho "Maria, passa na frente!". Mas eu juro: eu guardo para mim este segredo.
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