Foi no Globo Repórter que vi essas duas histórias tão bonitase tão próximas. Se elas conseguiram, eu também vou, ora.
Vera Lúcia Teixeira é uma brasileira com duas realidades. De dia, é faxineira. Trabalha de segunda a sábado em cinco casas diferentes no Rio de Janeiro. “Eu cozinho, eu passo, eu faxino”, lista Vera.
Ela trabalha em casas de família desde os 14 anos. Já teve carteira assinada, mas decidiu abrir mão do registro profissional por uma renda maior como diarista. Em compensação, não tem fundo de garantia, nem plano de saúde. Férias? Vera não tira há mais de 20 anos.
“Eu penso pouco nas dificuldades e vou tentando ver mais as facilidades”, reflete.
Pode parecer que quem leva a vida assim, sem ter salário fixo no fim do mês, sem saber se vai ter trabalho no dia seguinte, se preocupe mais com o presente do que com o futuro. Não no caso de Vera. Ela faz faxina hoje de olho em outra profissão. É o dinheiro suado que ela leva para casa depois de cada dia de trabalho duro que está financiando o sonho dessa diarista.
À noite, Vera é universitária. Aluna do sexto período do curso de direito em uma faculdade particular. Neste semestre, Vera teve que abrir mão de um dia de faxina para fazer estágio na faculdade. Ela já sabe como orientar os consumidores que buscam seus direitos.
“Se está na garantia, eles têm obrigação de trocar o produto ou de rever”, ensina.
Mas Vera ainda tem muito o que aprender até conquistar o sonho que a trouxe para a sala de aula: ela quer ser juíza. Na vida corrida de uma diarista, o estudo fica para as madrugadas ou entre um serviço e outro. “Acabo adormecendo às vezes entre os livros”, admite.
Motivos para desistir, não faltaram. Assim que se matriculou na faculdade, Vera foi dispensada por uma das patroas. “Chorei muito, claro, mas foi até interessante que isso foi em uma quinta. Na sexta, outra patroa minha me telefonou e disse: ‘você tem um dia vago para mim?’”
Pronto. O dinheiro para a faculdade estava garantido de novo. São R$ 600 por mês. As despesas não param por aí. Vera mora em um condomínio fechado. Para viver lá, ela gasta R$ 650 com o aluguel e o condomínio.
“Cobro de R$ 100 a R$ 120 por dia. No fim do mês, dá até R$ 2,3 mil. Com carteira assinada, não ganharia isso, porque não tenho nenhuma formação. Seria difícil”, explica Vera.
O apartamento alugado é modesto, mas tem tudo o que ela precisa: TV, internet e a mais nova conquista: livros na estante. “É a minha minibiblioteca, que está crescendo aos pouquinhos”, comemora Vera.
Entrar na faculdade já foi uma vitória e tanto para essa mulher que tinha só a quarta série e voltou a estudar aos 41 anos de idade. Uma atitude para estimular a filha a valorizar os estudos.
“Cheguei para ela e falei: ‘se você não vai estudar, então eu vou. Alguém tinha que tomar uma atitude naquela casa”, revela.
Mais do que ser juíza, o sonho de Vera é ser exemplo para a filha. “Já consigo me imaginar juíza”, sonha. “Eu vou ser uma juíza meio linha dura. Não vou ser tão sorridente, não. Vou ser meio linha dura. Acho que tudo o que a gente deseja, um sonho, a gente não deve desistir. A gente tem que lutar para conseguir e a gente consegue, não importa a profissão. Não importa.”
Joeci Machado Camargo também precisou se esforçar, se desdobrar e suar muito. Correr até mais do que podia para vencer na vida. “O meu pai nos abandonou. Abandonou a mulher com quatro filhas. Nós passamos muita fome, mas muita fome mesmo. Nós não tínhamos o que comer”, lembra.
Joeci chegou lá. Ela é desembargadora, um dos cargos mais altos do Judiciário. No Tribunal de Justiça do Paraná, ela julga as decisões já tomadas por outros colegas juízes. Com determinação, foi além do que a vida prometia.
“Nem sempre a gente sabe o que quer na vida. A gente precisa, primeiro, saber o que quer. Eu sempre soube”, conta Joeci.
Quem hoje vê esta mulher elegante, segura de si, não consegue imaginar. A doutora Joeci precisou, um dia, trabalhar de diarista. “Quem precisava que encerasse a casa, lá eu ia encerar a casa, sempre para ganhar uns trocadinhos. Também fui babá. Eu também ajudava cuidar de criança.”
Hoje, casada e mãe de três filhos, ela tem uma vida para lá de confortável. É a recompensa por um esforço que começou pela educação. Logo cedo, Joeci e as irmãs conseguiram bolsas de estudo em bons colégios. Ela foi para a faculdade, se formou advogada e passou em um concurso para juiz. A rotina de diarista ficou lá atrás, mas a da juíza não se acomoda no bem estar que a vida lhe oferece hoje.
Apesar de todo o trabalho que tem no tribunal, a doutora Joeci ainda encontra tempo para as tarefas domésticas. Uma das coisas que ela mais gosta de fazer é cozinhar. Aprimorou o aprendizado dos tempos difíceis em que trabalhava como diarista para ajudar no sustento da família. Sem cerimônia, Joeci bota a mão na massa e usa toda a autoridade de dona de casa para manter a ordem. Até o marido entra na dança.
Com Tereza, divide os afazeres domésticos. Depois de 34 anos trabalhando na casa, a relação entre patroa e empregada é mais do que profissional.
“Ela é minha amiga. Ajudou a criar os meus filhos. Depois da minha mãe, ela é a pessoa que eu mais estimo, porque ela é uma pessoa muito importante. Ela faz a minha vida funcionar e sem ela eu não consigo viver”, elogia Joeci.
Ao lado da família e diante de uma mesa farta, a doutora Joeci não se envergonha das raízes. As recordações da infância pobre servem de inspiração para todos. Uma lição de que, com determinação, é possível, sim, mudar destinos.
“Eu sempre dizia para a minha mãe: ‘eu vou conseguir’. E a minha mãe dizia assim: ‘não, nós não podemos ter isso’. Mas eu vou conseguir. Eu quero”, lembra Joeci.
A equipe do Globo Repórter contou para Vera a história da diarista que virou desembargadora no Paraná. A doutora Joeci fez uma pausa no almoço que estava preparando para a família e foi para a frente do computador, por onde ela vai conversar com a Vera que está lá Rio de Janeiro.
“Muito ansiosa”, revela Vera. “Afinal, não é todo dia que a gente fala com uma vossa excelência.”
Joeci: É um prazer muito grande conversar com você.
Vera: Eu que agradeço a atenção da senhora, disponibilizar um tempo para mim.
Vera estava curiosa. Tinha uma pergunta a fazer.
Vera: Houve muita dificuldade, muito preconceito em até chegar lá?
Joeci: Bastante, Vera. Muito preconceito, principalmente pela dificuldade de a mulher alcançar alguns espaços em todo o Brasil.
A resposta da juíza encheu Vera de coragem.
Vera: Mas eu acredito que eu vou conseguir chegar lá, sim, e vou fazer o melhor de mim. Aliás, acho que já estou dando o melhor de mim para isso.
Joeci: Eu tenho um programa que se chama Projeto Justiça no bairro. Gostaria que você participasse e da possibilidade de você vir até aqui e de participar com a gente fazendo audiência.
Vera: Seria uma honra, um prazer imenso.
Joeci: Eu vou ficar esperando.
O convite foi aceito e o Globo Repórter resolveu ajudar a promover este encontro entre Vera e a desembargadora. Vera está prestes a embarcar rumo ao Paraná. Ela conta que nunca tinha viajado de avião antes e que o coração está batendo forte.
“Se você me perguntasse se eu sou feliz, eu ia responder para você que, hoje, eu estou prestes a ser feliz”, diz Vera.
E lá vai ela para o seu primeiro voo. No Paraná, o Globo Repórter vai acompanhar essa experiência da Vera. Como é que será que vai ser o encontro dela com a doutora Joeci?
A equipe vai com Vera à universidade onde ela vai participar do projeto coordenado pela doutora Joeci, em Cascavel, no oeste do Paraná. No encontro das duas, um abraço longo e emocionado. De mãos dadas, a desembargadora e a diarista passam por todas as salas de audiência. Na primeira tarefa, Vera faz o registro de nascimento da filha de Dona Lúcia. A criança nasceu no Paraguai, de pais brasileiros, e não tinha nenhum documento.
Depois de passar o dia acompanhando as atividades da assistência jurídica gratuita, Vera foi para um ginásio de esportes e está entre os convidados de um casamento coletivo. Ao todo, 74 casais vão oficializar a união. O que ela não sabe é que a doutora Joeci preparou uma surpresa para ela.
“Eu convido a doutora Vera da Silva Teixeira para que venha sentar-se aqui junto com os juízes para fazer parte dos padrinhos do evento”, anuncia Joeci.
Diante do ginásio lotado, Vera não se parece mais com a mulher tímida que conhecemos dias atrás. “Isso aqui foi o melhor dia da minha vida. Se eu puder dizer o melhor dia da minha vida, esse foi o melhor”, define.
Ela sabe que a vida de diarista não terminou, mas é uma mulher ainda mais forte e mais determinada.
“O ideal tem que permanecer dentro do nosso coração, porque nós podemos realizar. Basta querer. E jamais esmorecer”, reflete Joeci. “Parabéns, doutora.”
“Muito obrigada. Foi maravilhoso. Muito obrigada mesmo”, agradece Vera.
Joeci responde: “Irei na sua posse.”
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Do filho
Pedro tem sete anos. Nasceu prematuro de 32 semanas, cujas primeiras contrações foram sentidas numa audiência criminal. Desde bebê conhece a rotina da mamãe, até porque foi várias vezes amamentado nos corredores do fórum. É meu grande incentivador, a verdadeira razão de todo o esforço, mas confesso que também é meu grande algoz. E explico.
Pedro é um menino compreensivo diante da necessidade da mãe em estudar, mas como todo menino, Pedro quer a efetiva companhia da mãe. Quer mostrar a última jogada no video-game, quer as palmas da mãe ao fazer gol, a opinião sobre o acorde novo no violão, quer desabafar sobre o amigo chato da escola. Há a visita ao médico, o remédio, a supervisão de orelhas devidamente limpas no banho, a lição de casa feita. O feijão que só a mãe sabe fazer, o pudim de leite com furinhos, o cafuné antes de dormir, o beijo que só a mãe dá. Tarefas impossíveis de serem delegadas, ainda mais para ele, que não tem a companhia do pai diariamente.
É preciso muito planejamento e conversa, muito carinho para explicar que aquele abajur ligado de madrugada tem uma razão de ser - é a mamãe estudando. Que na hora do cinema, ele terá a companhia dos primos, mas a mãe ficará ao banco no lado de fora, lendo o Código Penal enquanto o bandido do filme segue preso pelo herói. Que os livros da mamãe são pesados e não têm figuras, mas ela precisa lê-los e relê-los, e nessas leituras, não sobra muito tempo para as brincadeiras. Apesar de ser um filho obediente e compreensivo, às vezes ele reinvidica seu espaço, e a negociação fica difícil. Ele ouve muitos "nãos" - e os ouvirá ainda mais quando eu tomar posse no cargo, pois filho de juiz também precisa ter um comportamento condizente com o cargo da mãe. Seus atos também serão alvo de fiscalização. E a vida já disse muitos "nãos" para ele. Já chorei muitas vezes sozinha, mergulhada em saudade e culpa. E toda noite, antes de dormir, avalio se fui uma boa mãe para ele, se estou fazendo o certo.
Mas crianças são realmente seres superiores. Todas as lombares dos meus livros têm a marca "mamãe", naquela letrinha infantil tão bonita. Guardo vários desenhos feitos por ele, onde um menino dá às mãos a uma mamãe sorridente, na frente de uma casa com flores e debaixo de um céu com nuvens e um sol colorido. E quando indagado sobre a profissão da mãe, ele dispara: "minha mãe é juíza". Eu ainda não sou, filho. Mas é bom saber que, para você, eu sempre serei. É bom ter alguém que acredita piamente nisso. É muito bom.
Do apoio familiar
Eis um assunto nebuloso para mim. Não que me falte o carinho ou o orgulho; é óbvio que meus pais desejam e torcem para que eu seja juíza - tanto assim que no armário da minha mãe há uma estátua de uma bonequinha vestida de juíza, pronta para me ser entregue quando da aprovação. Talvez falte a compreensão de que a aprovação na Magistratura não é algo tão imediato. Já não sou mais a menina sonhadora e desprecupada, recém-saída da faculdade. Passei dos trinta, tenho um filho, não sou casada, tenho contas a pagar. Estou em franca desvantagem diante dos jovens com a vida protegida, com todo o tempo do mundo para estudar. É preciso maturidade para entender isso, e lutar contra a maré.
Eles já muito fazem por mim. Cederam-me espaço para mim e meu filho (aliviando-me da despesa com moradia própria, cuidam do meu pequeno nos momentos de imersão total. Não poderia ser ingrata e dizer que não há ajuda. O que sinto é uma cobrança para resultados, o que considero natural. Estão idosos, cansados, preocupados com meu futuro. Não desconhecem as notícias sobre o Judiciário, não ignoram as pressões do cargo, a carga de trabalho, os colegas que tombaram no cumprimento do dever. Coloco-me em seu lugar. E me cobro. E nessa cobrança, às vezes me faltam os sorrisos.
Eles já muito fazem por mim. Cederam-me espaço para mim e meu filho (aliviando-me da despesa com moradia própria, cuidam do meu pequeno nos momentos de imersão total. Não poderia ser ingrata e dizer que não há ajuda. O que sinto é uma cobrança para resultados, o que considero natural. Estão idosos, cansados, preocupados com meu futuro. Não desconhecem as notícias sobre o Judiciário, não ignoram as pressões do cargo, a carga de trabalho, os colegas que tombaram no cumprimento do dever. Coloco-me em seu lugar. E me cobro. E nessa cobrança, às vezes me faltam os sorrisos.
Da preparação espiritual
A primeira avaliação a ser feita, quando se toma a definitiva decisão de prestar concurso, é como está o nosso lado espiritual. Em princípio, pode parecer uma grande bobagem, algo bastante supérfluo diante de tantas matérias a serem estudadas; entretanto, manter-se equilibrado e protegido na fé é o primeiro passo em busca do sucesso nesta tão grande empreitada.
Sou um alguém criado dentro da doutrina católica, e disso não me vergonho. Ser cristã é fato de profundo orgulho para mim, e nada há a esconder; só não podemos fazer da religião uma bandeira pronta a ser hasteada para mostrar honestidade. Minha fé é parte da minha intimidade, e profeço-a de maneira discreta e sem alardes, não tentando a conversão universal às minhas crenças, mas também sem vergonha de nada que sou. Sequer conseguiria: a Virgem que me acompanha ao pescoço, o adesivo da medalha de São Bento no carro e a imagem do Cristo em cada livro meu não permitiriam negar o abrigo que encontro em Deus.
Sim, eu rezo, e se pudesse, o dia inteiro. Gosto de igrejas, de missa, das histórias dos santos e das festas. Rezar o terço e sentir a força da oração são experiências que trazem ainda mais força ao estudo. Quando me faltam forças ou tempo, é a Virgem que não deixa meus olhos se fecharem diante das horas debruçada nos livros. É a sua linda imagem que me dá a certeza de fazer o que é certo, ainda que pareça quase impossível, em certos momentos.
Gostaria de ter uma visão mais agnóstica da coisa, até para conseguir chegar aos corações ateus; todavia, é impossível para mim falar dessa tão linda carreira sem falar de Deus. Que me perdoem aqueles que crêem apenas na força humana, mas Deus está intimamente ao lado daqueles que julgam casos e fatos, pois Ele é o grande magistrado, que a todos julgará. Se falamos o tempo todo em ética, em trabalho, em conciliação e justiça, falamos de valores profundamente religiosos. Nem o preâmbulo da nossa Constituição me deixa esquecer que estamos sob a proteção de Deus. Menos ainda o Código Civil, norma dotada de toda a principiologia de dignidade da pessoa humana, ética e socialidade.
Nâo esqueço que trabalharei para pessoas de todos os credos, bem como para os céticos. Respeitar e decidir de forma justa será meu papel. Contudo, no fundo dos meus pensamentos, não conseguirei deixar de pedir a proteção do Altíssimo momentos antes de cada audiência, pedindo a Ele sabedoria para melhor operar a Lei. E lá no fundinho de mim mesma, podem ter certeza: eu semrpe estarei dizendo baixinho "Maria, passa na frente!". Mas eu juro: eu guardo para mim este segredo.
Sou um alguém criado dentro da doutrina católica, e disso não me vergonho. Ser cristã é fato de profundo orgulho para mim, e nada há a esconder; só não podemos fazer da religião uma bandeira pronta a ser hasteada para mostrar honestidade. Minha fé é parte da minha intimidade, e profeço-a de maneira discreta e sem alardes, não tentando a conversão universal às minhas crenças, mas também sem vergonha de nada que sou. Sequer conseguiria: a Virgem que me acompanha ao pescoço, o adesivo da medalha de São Bento no carro e a imagem do Cristo em cada livro meu não permitiriam negar o abrigo que encontro em Deus.
Sim, eu rezo, e se pudesse, o dia inteiro. Gosto de igrejas, de missa, das histórias dos santos e das festas. Rezar o terço e sentir a força da oração são experiências que trazem ainda mais força ao estudo. Quando me faltam forças ou tempo, é a Virgem que não deixa meus olhos se fecharem diante das horas debruçada nos livros. É a sua linda imagem que me dá a certeza de fazer o que é certo, ainda que pareça quase impossível, em certos momentos.
Gostaria de ter uma visão mais agnóstica da coisa, até para conseguir chegar aos corações ateus; todavia, é impossível para mim falar dessa tão linda carreira sem falar de Deus. Que me perdoem aqueles que crêem apenas na força humana, mas Deus está intimamente ao lado daqueles que julgam casos e fatos, pois Ele é o grande magistrado, que a todos julgará. Se falamos o tempo todo em ética, em trabalho, em conciliação e justiça, falamos de valores profundamente religiosos. Nem o preâmbulo da nossa Constituição me deixa esquecer que estamos sob a proteção de Deus. Menos ainda o Código Civil, norma dotada de toda a principiologia de dignidade da pessoa humana, ética e socialidade.
Nâo esqueço que trabalharei para pessoas de todos os credos, bem como para os céticos. Respeitar e decidir de forma justa será meu papel. Contudo, no fundo dos meus pensamentos, não conseguirei deixar de pedir a proteção do Altíssimo momentos antes de cada audiência, pedindo a Ele sabedoria para melhor operar a Lei. E lá no fundinho de mim mesma, podem ter certeza: eu semrpe estarei dizendo baixinho "Maria, passa na frente!". Mas eu juro: eu guardo para mim este segredo.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Aos treze
Em 1988, eu tinha 1,40m, menos de trinta e sete quilos, um talento indiscutível para redação e a timidez dos que se sentem mais confortáveis na biblioteca do que na quadra de esportes (embora jogasse handebol com maestria). Tinha facilidade com idiomas, uma memória fotográfica para datas e dados, além de uma mortal inabilidade para matemática. Meu universo não se limitava a Bon Jovi, New Kids on The Block e outras coisas que atraiam as garotas da minha idade: eu queria saber qual a estratégia do Ayrton Senna, porque mataram o Chico Mendes, quem era esse tal de Saddam Hussein, como funcionava esse tal de doping. Eu não queria saber apenas o que havia acontecido, mas também como, aonde, por que. Eu tinha sede de saber. E nessa curiosidade que me levava a livros e revistas, foi numa revista feminina que descobri.
Era a história da Dra. Luiza Galvão, a primeira desembargadaora do Tribunal de Justiça Bandeirante. Era um depoimento realista, que não falva apenas das glórias e vantagens do cargo. Dizia das dificuldades para a aprovação no concurso, da absurda carga de trabalho, das tantas comarcas que trabalhara, dos tantos anos de trabalho sério. E por fim, a sentença: "sou uma mulher muito feliz, porque faço o que gosto". Foi aí que também sentenciei. Eu também quis essa dificuldade, essa alegria, para mim. Não contei para ninguém, porque sonho de menina é coisa boba para os adultos. Mas escrevi no caderno, naquela tolice bonita que se chama esperança. Tal como faço hoje.
Iniciando...
36 anos, um filho de sete, duas provas de Magistratura. Poucos reais na conta-corrente, alguns processos na pauta, muitos obstáculos a alcançar. O principal deles: o posto de juíza substituta no Tribunal de Justiça de São Paulo, considerado por muitos um dos mais difíceis concursos públicos do País. Eis o histórico desta jornada, que não começou hoje, mas terá um fim (e se Deus desejar, bem-sucedido), a partir de hoje.
Falarei em primeira pessoa, dirigindo-me aos parceiros de luta, aos futuros colegas de profissão, aos amigos e familiares, e principalmente, ao objeto de toda essa batalha, o querido menino dos mil adjetivos Pedro Henrique, a quem dedicarei cada segundo desta preparação.
Será um diário bastante pessoal, e desde já pedirei perdão a todos por aqui constar elementos como subjetividade, religião, sentimentos pessoais e as dores que carrego, os hematomas que terei. Porque passar nesta prova não é um capricho. Não é um meio de ganhar a vida. É vocação de alguém que sonha com esse ofício há muitos anos. E ao longo dos tempo, isso será melhor explicado.
Sintam-se confortáveis para fazer comentários e apresentarem suas sugestões. A todos, meu carinho e respeito. Abraços jurídicos a todos. Alea jacta est!
Falarei em primeira pessoa, dirigindo-me aos parceiros de luta, aos futuros colegas de profissão, aos amigos e familiares, e principalmente, ao objeto de toda essa batalha, o querido menino dos mil adjetivos Pedro Henrique, a quem dedicarei cada segundo desta preparação.
Será um diário bastante pessoal, e desde já pedirei perdão a todos por aqui constar elementos como subjetividade, religião, sentimentos pessoais e as dores que carrego, os hematomas que terei. Porque passar nesta prova não é um capricho. Não é um meio de ganhar a vida. É vocação de alguém que sonha com esse ofício há muitos anos. E ao longo dos tempo, isso será melhor explicado.
Sintam-se confortáveis para fazer comentários e apresentarem suas sugestões. A todos, meu carinho e respeito. Abraços jurídicos a todos. Alea jacta est!
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